políticos teimam em não se desviar da sua habitual prática política" para logo acrescentar que "o Partido Comunista não tem o mesmo tipo de problemas. Eles (os comunistas), sabem projectar uma imagem de capacidade, de coesão e de organização, que deixa uma boa impressão".

10.8 - Quando da visita de Ramalho Eanes à Checoslováquia, o comunicado oficial conjunto expressa "o seu apoio aos povos do Zimbabwé e da Namíbia" ("Diário" de 30/6/78). Tenho razão quando penso que após a entrega de Angola e Moçambique ao imperialismo soviético, consumada portanto a descolonização que foi feita, o importante seria consolidar essa vitória "administrando" a política externa consequente. Resta saber - e o povo português interroga-se - se essa política será a mais correcta em ordem a defender os interesses dos cidadãos portugueses espalhados pelo mundo ocidental como emigrantes, nomeadamente na África do Sul, e em ordem a travar o expansionismo russo- -comunista. O povo português e a Europa Ocidental pensam que não, mas o presidente Eanes e Melo Antunes pensam que sim.

10.9 - Finalmente em recente entrevista ao "Diário de Notícias", publicada em 5 de Maio, Ramalho Eanes afirmou: "Se uma dissolução da Assembleia da República justificada pelo Presidente da República em função de dificuldades políticas for seguida de eleições que reproduzam o mesmo quadro parlamentar ou outro idêntico, constituirá uma demonstração de que os eleitores não estarão de acordo com a dissolução". Meditando sobre este texto, conclui-se tratar-se de uma dialética inteligentemente defensora da "maioria da esquerda" no Parlamento. Com efeito, se após eleições o quadro parlamentar se mantivesse, isso não significaria que os eleitores não estavam de acordo com a dissolução, mas sim que os eleitores reconfirmavam a maioria de esquerda, o que representaria uma grande vitória para o Partido Comunista. Então porque não se fazem eleições? Porque esta "maioria de esquerda" já existe, e a outra, após eleições, seria uma incógnita... "Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar", reza a sabedoria popular.

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10.10 - Para que não se percam na dúvida ou na ambiguidade as palavras que escrevi até aqui, convirá sintetizá-las, relacioná-las entre si, alinhar a sucessão de factos descritos neste livro e, sobretudo, ter sempre presente que estamos perante uma situação secreta, logo extremamente difícil de clarificar.

10.11 - Hoje já ninguém será ingénuo ao ponto de pensar que a estratégia comunista parou ou deixou de existir em relação a Portugal. Também ninguém com um mínimo de realismo irá imaginar que o PCP é apenas a sua face visível e ostensivamente conhecida.

10.12 - O dr. Álvaro Cunhal afirmou em vários discursos que não constituiria problema de maior passar novamente o PCP à clandestinidade: isto significa, entre várias outras coisas, que há pelo menos uma segunda linha secreta que convive quotidianamente com toda a gente e que se comporta da forma mais insuspeita. É essa, aliás, a força de todas as minorias que vivem enquistadas numa qualquer sociedade humana e contra a qual se consideram filosoficamente em guerra.

10.13 - Quem, em Julho de 1974, poderia afirmar - com convicção - que Vasco Gonçalves era comunista? No entanto, nessa altura, corriam os mais angustiantes boatos, alguns com o pormenor - considerado delirante - do seu número de inscrição no Partido. Mas ninguém acreditou.

10.14 - Quem, a começar pelo próprio general Spínola, algumas vez pensou que o general Costa Gomes fosse comunista? Terá sido necessário que Costa Gomes se tornasse membro do Conselho Mundial da Paz (organismo publicamente manipulado pela Rússia) para que alguém deixasse de ter dúvidas?

10.15 - Para ser comunista não é necessário, obviamente, ser militante do PCP. Para facilitar a estratégia comunista é importante parecer que se não é - nem militante, nem comunista.

 

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