JOSÉ BAPTISTA PINHEIRO DE AZEVEDO

ALMIRANTE

NOTAS BIOGRÁFICAS

  • José Pinheiro Baptista de Azevedo nasceu em Luanda em 1917, tendo entrado para a Escola Naval com 17 anos. Guarda-Marinha aos 20 anos, o 25 de Abril encontra-o capitão-de-mar-e-guerra, desde 1970, e Comandante dos Fuzileiros desde 1972. Após a revolução é promovido a vice-almirante e, em 1976, a almirante.
  • Foi professor de Astronomia e Navegação na Escola Naval e professor do "Curso de Capitães" na Escola Náutica, sendo autor de vários livros técnicos sobre Trigonometria, Meteorologia e Navegação.
  • Durante a guerra de África foi Comandante da Defesa Marítima do Zaire (Angola) e depois Adido Naval em Londres.
  • Estudioso brilhante, possui vários diplomas "com distinção" de Curso Elementar do Estado-Maior Naval, do Curso Superior Naval de Guerra e do Curso de Altos Estudos Militares.
  • Após a revolução de 1974, foi membro da Junta de Salvação Nacional, primeiro-ministro do VI Governo Provisório e, interinamente, presidente da República.
  • Possui numerosas condecorações, nomeadamente as medalhas de Serviços Distintos com Palma, Mérito Militar de 1.ª e 2.ª classe e da Ordem Militar de Aviz.
  • Figura controversa, polémica e corajosa, ficou conhecido no Prec pelas suas atitudes frontais contra ambiguidades, hipocrisias e oportunismos, como o Almirante sem medo.

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Não basta sê-lo: é necessário parecê-lo.

De um cidadão optimista.

Basta sê-lo: não é necessário parecê-lo.

De um cidadão pessimista.

EM POLÍTICA O QUE PARECE... É.

De um determinado cidadão.

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1 - I N T R O D U Ç Ã O :

1.0 - "Sei que muita gente irá classificar este livro como o depoimento de um "dissidente do MFA" (Movimento das Forças Armadas) ou como o depoimento de um desiludido com a "revolução dos cravos". Gostaria - e isso seria como a minha mais bela condecoração de militar - que este livro fosse simplesmente considerado como o depoimento de um patriota.

1.1 - "De um patriota que tudo tentou - bem ou mal, com mais ou menos sorte, por ventura acreditando demasiado em pessoas que talvez não merecessem a confiança de homens de bem - mas de um patriota que tudo tentou para impedir, e depois ao menos minimizar, a destruição de Portugal como pátria livre.

1.2 - "Pertenci ao MFA e nessa qualidade fui membro da Junta de Salvação Nacional, presidindo mais tarde ao VI Governo Provisório. Muitos portugueses pensarão que terei participado de longa data nos actos conspiratórios, nas decisões ou acordos secretos que levaram ao levantamento militar do 25 de Abril de 1974. Nada menos correcto. É importante que neste testemunho - grave e sério, de alerta ao povo do meu País - todos os detalhes, por mais insignificantes, correspondam rigorosamente à verdade dos factos.

1.3 -"Fui abordado para aderir ao MFA apenas dois dias antes da revolta: no dia 23 de Abril de 1974.

1.4 - "Apresentaram-me um "Programa" - o Programa do MFA - que estudei conscientemente. A aprovação de uma nova política tendo como preocupação imediata o aumento progressivo da qualidade de vida de todos os portugueses e o fim honroso da guerra mereceu, como merecia ainda hoje, a minha inteira concordância. Quanto à descolonização, as disposições do Programa que me foram submetidas previam a autodeterminação com prévia consulta às populações. Contudo, como militar que sou, não me parecia que a solução do problema ultramarino pudesse ser levada a cabo sem que fossem ouvidos os militares que, em cumprimento do dever, tinham combatido com bravura em várias frentes. Mas foi-me observado que nesse Programa se afirmava que a política ultramarina do Governo Provisório seria determinada pela Nação e que esta afirmação traduzia um compromisso "categórico" assumido pelo MFA perante a Pátria.

1.5 - "Como militar confiei em militares e aderi à revolta do 25 de Abril. Aderi convicto de que servia o meu País.

1.6 - "Depressa me convenci de que não era assim.

1.7 – "Tendo-me apercebido então de que o Programa do MFA não passava de um documento de cobertura destinada a aliciar certa hierarquia das Forças Armadas (é importante detalhar que eu era na altura Comandante dos Fuzileiros), por que razão não abandonei ostensivamente o Movimento, demitindo-me dos cargos que desempenhava? Extremamente difícil a levantamento militar em 25 de Abril de 1974. Foi uma época de perplexidade e de confusão delirante que atingiu os limites da paranóia. A história ensina-nos que foram sempre os que fogem e abandonam a luta os responsáveis pela vitória das revoluções, sejam estas justas ou injustas. Permanecer e lutar, pode não garantir a vitória, mas dignifica a batalha.

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